Chinês(es) Clandestino(s) – Zona do Martim Moniz

É uma moda em expansão em Lisboa, especificamente na zona do Martim Moniz, Mouraria, Rua da Palma, Rua do Bemformoso e vizinhanças, os restaurantes chineses clandestinos multiplicam-se como cogumelos australianos.

O cheiro de comida, uma porta (entre-)aberta num prédio residencial, dois ou três lanços de escadas, uma sala mais ou menos básica, por vezes uma certa mescla entre restaurante e residência com fronteiras pouco definidas, com chineses mesmo da China (por vezes alguns mais seniores e outros mais juniores a deambularem despreocupadamente) et voilá… assim se faz um restaurante chinês clandestino.

Estes locais são uma lufada de ar fresco no panorama gastronómico asiático/oriental de Lisboa. Desde logo pela aventura de passar por ruas e ruelas, escuras, e pouco recomendáveis, em busca do dito restaurante, depois a própria clandestinidade que torna o simples acto de jantar numa deliciosa transgressão à normalidade. Há quem lhe chame espírito aventureiro, indie, freak ou cosmopolita… na verdade todos temos um pouco de subversivo dentro de nós que gostamos de satisfazer.

Mas o melhor é mesmo é depois de chegar, descubrir a oferta das várias cozinhas, esqueça o Chop-suey de galinha com arroz xau-xau… as propostas são sempre originais e (aparentemente) autênticas, variando conforme a zona de proveniência da família que gere o restaurante. Mais ou menos picante, mais direcionadas para a carne de porco ou carne de vaca ou com opções do mar como lulas e marisco. Na realidade, não podemos afirmar com 100% de certeza que são pratos genuínos (nunca tivemos na China…), mas a generalidade dos pratos que já provámos são muito bons, com sabores fortes, condimentos e especiarias asiáticas. Parece e sabe a autêntico.

Neste ponto é imperativo fazer um pequeno aparte, que é o lamentável restaurante chinês de Sushi, qualquer coisa como o shushinês, que é uma deturpação da cultura japonesa, mas também da rica cultura gastronómica chinesa, e que infelizmente foi a introdução de muitos ao maravilhoso mundo do Sushi. Na nossa opinião poderiam fechar todos, excepto no dia 1 de Abril claro está.

Temos também de destacar o preço, com um ou dois pratos e umas Tsingtao (cerveja chinesa) a rondarem os 10 euros, uma relação preço qualidade muito boa, provavelmente derivado da isenção do IVA inerente à falta de licença destes estabelecimentos… esperemos que a ASAE continue a ser complacente por mais uns tempos com esta situação pois estes espaços merecem uma visita.

Chinês Clandestino Chinês Clandestino

Dos vários que fomos temos de destacar pela negativa talvez o decano dos clandestinos, o open-space na Rua da Guia na Mouraria, não é mau, mas é o clandestino menos clandestino, diz quem visitou há uns anos que era outra coisa, mas tornou-se demasiado comercial sempre à pinha de turistas! e a comida não sendo má está uns furos abaixo dos restantes. O melhor, bem o melhor para nós é um espaço bem pequeno e acolhedor (nem sempre cheio), comida deliciosa, e que mantém bem vivo o verdadeiro espírito clandestino. Uma pérola que não vamos revelar a localização pois seria estragar a sua essência.

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Custo: 10 euros por pessoa
Comida: autêntica e deliciosa, uma óptima alternativa ao chinês “tradicional”. Convém não pensar muito no facto de não terem controlo alimentar e simplesmente usufruir da experiência
Atendimento: geralmente simpático, por vezes com algumas barreiras linguísticas

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Pho-Pu – Rua do Benformoso

Este é um restaurante para os bravos do pelotão, desde logo porque está localizado numa zona da cidade que não é a mais recomendada pelos guias turísticos (provavelmente até está na secção Zonas da Cidade a Evitar). Entre o Martim Moniz e o Intendente é praticamente um enclave multi-cultural onde ouvir uma palavra na língua de Camões é uma raridade. Avançamos rua acima que tudo irá correr bem (não oferecemos garantias nem salvo-conduto) e aproveite-se os 200 metros de viagem que passam por Marrocos, Índia, Paquistão, China e outras paragens longínquas mesmo no centro de Lisboa. Uma entrada estranhamente bem cuidada e limpa? Cheiro a manjericão e especiarias? É mesmo aqui o Pho-pu.

Primeira prova superada, a segunda prova é a dificuldade de comunicação com o staff, pois o vietnamita é o primeiro idioma, e o segundo e o terceiro e lá para uma posição muito recôndita vem o português. No entanto, para facilitar o menu é muito básico: composto de 4 ou 5 propostas, o Pho a sopa típica vietnamita (também em versão chinesa), as gyosas (versão massa fresca ou frito), crepe chinês e chamuça. Embora na mentalidade ocidental, trata-se aparentemente de um menu pobre, é na realidade muito rico e tipicamente oriental a especialização num prato, pois permite refinar e melhorar a receita ao pormenor.

Rapidamente chega à mesa um prato com rebentos de soja, limão, manjericão. e 2 tacinhas de molho de soja e picante. Calma, muita calma, não se trata de uma oferta da casa, mas sim de condimentos para se misturar a gosto no Pho (a sopa). E eis que chega as gyosas, as chamuças e a sopa fumegante. Misturam-se os condimentos (ou não) na sopa e está pronta a provar, cheira-se, prova-se, e sente-se o festival de sabores, o doce, o amargo, o picante, o salgado, o umami, enfim um mundo numa sopa, simplesmente deliciosa. Para alguns pode ser um pouco avassalador e simplesmente uma confusão de sabores e texturas, mas na verdade esta abundância tem método como uma sinfonia gastronómica.

Alguns podem dizer, uma refeição à base de uma sopinha? Pois, mas não é uma sopinha qualquer, muito bem servida e carregada de ingredientes como noodles, carne e vegetais, come-se tanto de colher como de pauzinhos. Demora tempo, e chegar ao fim não está ao alcance dos mais fracos. Além disso, também vale a pena testar as outras iguarias do menu, as  gyosas frescas e as chamuças são muito boas e cumpriram muito bem.

Chegados ao fim desta viagem pelo Sudoeste asiático resta pagar a moderada conta, e agradecer a existência desta pérola em Lisboa (talvez o único restaurante vietnamita em Lisboa). Quando sair, não se queixe da sua sorte de ter de navegar pela Rua do Bemformoso e lembre-se que se o Pho-Pu estivesse localizado numa zona fina da cidade teria acabado de deixar o triplo do dinheiro e provavelmente estaria sempre impraticavelmente cheio.

Pho-Pu Pho Pho-Pu CondimentosPho-Pu Chamuças Pho-Pu Gyosas

Custo: 8 euros por pessoa
Comida: sopa vietnamita deliciosa/sublime, as outras opções boas também
Atendimento: Muito simpático embora por vezes com alguma barreira linguistica

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Great American Disaster – Marquês de Pombal

great-american-disasterO Great American Disaster é um restaurante americano tipo diner clássico dos anos 60 com um menu a condizer à base de hambúrgueres, bifes e pizzas. A entrada é um pouco estranha, entalado entre 2 bancos um mini-centro comercial com todas as lojas fechadas (à hora de almoço a história deve ser outra) sobe-se umas escadas e lá se dá com o restaurante.

O espaço oferece uma vista agradável sobre a rotunda do marquês, temos direito ao clássico chão aos quadrados pretos e brancos é às cadeiras ou poltronas em vinil (conforme o local em que se fica). Um espaço agradável? Nem por isso, barulho e luz excessivamente agressiva tiram a qualidade de vida ao espaço.

Do menu, vieram hambúrgueres e batidos. Pela descrição e pelos ingredientes, esperava-se um dos melhores nacos de carne picada entre o pão, mas infelizmente não foi o caso…. a carne meio cozida meio grelhada, o pão empapado num molho aborrecido e desinteressante. Terá sido um erro de casting ou um descuido da cozinha? Pelos vistos não, pois o outro hambúrguer que chegou à mesa vinha com os mesmos pecados capitais. Numa palavra: desilusão. O bom? Os batidos, mesmo ao estilo americano, doces e espessos, uma delicia.

Resumindo, bem no centro de Lisboa um diner americano com preços razoáveis, seria uma boa aposta… no entanto, os hamburgueres foram mesmo um “Grande Desastre Americano”, em comparação um BigMac ou um Whopper alcançariam o estatuto de gourmet. Se merece uma segunda oportunidade, esquecendo os hamburgueres e tentando as pizzas? Talvez um dia, quando o tempo apagar estas memórias.

Custo: 15 euros por pessoa
Comida: hamburgueres muito maus, batidos muito bons
Atendimento: Despersonalizado e um pouco descuidado

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