Chinês(es) Clandestino(s) – Zona do Martim Moniz

É uma moda em expansão em Lisboa, especificamente na zona do Martim Moniz, Mouraria, Rua da Palma, Rua do Bemformoso e vizinhanças, os restaurantes chineses clandestinos multiplicam-se como cogumelos australianos.

Chinês ClandestinoChinês ClandestinoO cheiro de comida, uma porta (entre-)aberta num prédio residencial, dois ou três lanços de escadas, uma sala mais ou menos básica, por vezes uma certa mescla entre restaurante e residência com fronteiras pouco definidas, com chineses mesmo da China (por vezes alguns mais seniores e outros mais juniores a deambularem despreocupadamente) et voilá… assim se faz um restaurante chinês clandestino.

Estes locais são uma lufada de ar fresco no panorama gastronómico asiático/oriental de Lisboa. Desde logo pela aventura de passar por ruas e ruelas, escuras, e pouco recomendáveis, em busca do dito restaurante, depois a própria clandestinidade que torna o simples acto de jantar numa deliciosa transgressão à normalidade. Há quem lhe chame espírito aventureiro, indie, freak ou cosmopolita… na verdade todos temos um pouco de subversivo dentro de nós que gostamos de satisfazer.

IMG_20151228_043546IMG_20151228_043807Mas o melhor é mesmo é depois de chegar, descubrir a oferta das várias cozinhas, esqueça o Chop-suey de galinha com arroz xau-xau… as propostas são sempre originais e (aparentemente) autênticas, variando conforme a zona de proveniência da família que gere o restaurante. Mais ou menos picante, mais direcionadas para a carne de porco ou carne de vaca ou com opções do mar como lulas e marisco. Na realidade, não podemos afirmar com 100% de certeza que são pratos genuínos (nunca tivemos na China…), mas a generalidade dos pratos que já provámos são muito bons, com sabores fortes, condimentos e especiarias asiáticas. Parece e sabe a autêntico.

Neste ponto é imperativo fazer um pequeno aparte, que é o lamentável restaurante chinês de Sushi, qualquer coisa como o shushinês, que é uma deturpação da cultura japonesa, mas também da rica cultura gastronómica chinesa, e que infelizmente foi a introdução de muitos ao maravilhoso mundo do Sushi. Além do mais, sabemos de fonte segura que cada vez que entra alguém num shushinês um panda bébé morre…

Temos também de destacar o preço, com um ou dois pratos e umas Tsingtao (cerveja chinesa) a rondarem os 10 euros , uma relação preço qualidade muito boa, provavelmente derivado da isenção do IVA inerente à falta de licença destes estabelecimentos… esperemos que a ASAE continue a ser complacente por mais uns tempos com esta situação pois estes espaços merecem uma visita.

IMG_20151228_043453Dos váIMG_20151228_043635rios que fomos temos de destacar pela negativa talvez o decano dos clandestinos, o open-space na Rua da Guia na Mouraria, não é mau, mas é o clandestino menos clandestino, diz quem visitou há uns anos que era outra coisa, mas tornou-se demasiado comercial sempre à pinha de turistas! e a comida não sendo má está uns furos abaixo dos restantes. O melhor, bem o melhor para nós é um espaço bem pequeno e acolhedor (nem sempre cheio), comida deliciosa, e que mantém bem vivo o verdadeiro espírito clandestino. Uma pérola que não vamos revelar a localização pois seria estragar a sua essência.

 

Resumo
Custo: 10 euros por pessoa
Comida: autêntica e deliciosa, uma óptima alternativa ao chinês “tradicional”. Convém não pensar muito no facto de não terem controlo alimentar e simplesmente usufruir da experiência
Atendimento: geralmente simpático, por vezes com algumas barreiras linguísticas

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