Café de S. Bento – S. Bento

A noite ia chuvosa e já era uma hora relativamente tardia, pelo que depois de tantos anos e depois de tantos sitios recomendarem o Café de São Bento para uma refeição tardia, decidimos dar lá um saltinho e experimentar. É preciso ir com uma certa atenção que de fora não é mais do que uma porta fechada com uma placazinha e uma janela com o menú, mas sem vista para o interior (e vice-versa). Para ver o que se passa é preciso tocar à campainha, e em menos nada surge o empregado trajado a rigor (género mordomo) que nos acolhe, indica a mesa, arruma os casacos e guarda-chuvas, faz uma vénia…. enfim o folclore todo.

Lá dentro, um ambiente género pub inglês, em tons de vermelho, faia e dourado, alcatifas, sem vislumbre da rua, a tentar aparentar um certo peso de história que não tem, assim a puxar para os antigos clubes exclusivos de uma certa burguesia de antigamente. Numa palavra: kitsch.

O menú vive sobretudo dos bifes, aliás que é o que dá a fama à casa, pois em tudo o que é guia ou publicação de restaurantes vem sempre qualquer coisa do género: “coma um bife tarde e a más horas no Café de S. Bento”. Nos bifes há varias escolhas, desde o bife à casa (bife Café de S. Bento), o bife com pimenta passando pelo bife à portuguesa entre outros. Optámos obviamente pela especialidade da casa, nas modalidade de pimenta e à portuguesa. Para empurrar cerveja e vinho a copo, que a carta de vinhos é proibitiva. Ambos os bifes estavam muito bons, a carne de primeira qualidade e confecção competente, embora  no bife à portuguesa faltavam claramente os pickles, e em geral podiam ser um pouco mais assados e menos cozidos, faltava aquela camada superior um pouco mais assada, estaladiça e deliciosa. Para acompanhar a típica batata frita e esparregado, na mesma linha dos bifes, acima de qualquer suspeita mas sem rasgo. Se é o melhor bfe de Lisboa? Provavelmente não, mas é bastante bom.

No final, a conta que neste restaurante/pub é realmente dolorosa, pois dois bifes (na ordem dos 25 euros), acompanhamentos e cerveja e vinho a copo, fica na ordem dos 70 euros, que é um valor claramente exagerado em termos de custo beneficio. Claramente que tem um público próprio, composto sobretudo por turistas e uma população endinheirada em que o valor final não é grande preocupação, no entanto para nós que nos enquadramos na classe média o Café de S. Bento é claramente uma aposta desajustada em termos de custo.

No final, verifica-se na conta e no cartão da casa que o Café de S. Bento é propriedade da Estoril Sol, a grande empresa de casinos, e realmente nota-se no próprio ambiente kitsch e no serviço.  Curiosamente também o facto de surgir no TripAdvisor (um famoso site para viagens) como o 2º melhor restaurante de Lisboa, que claramente não é, e que nos leva a questionar da fiabilidade do mesmo, visto que existem em Lisboa muitas outras propostas mais apeteciveis, com mais qualidade e mais equilibradas  em termos de custo.

Em conclusão, é sempre simpático existir um “restaurante” – é mais um pub -  onde se pode comer uns bons bifes (e alguns petiscos) até às 03h, é mais uma opção (das poucas existentes) para quem quiser jantar mais tarde. No entanto é necessáro ponderar bem, visto que o custo bastante elevado torna estas refeições fora de horas demasiado caras na nossa opinião.

Custo: demasiado elevado, minimo a rondar os 35 euros por pessoa
Comida: bifes de primeira qualidade
Atendimento:  competente, pontualmente demasiado formal

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Jardim do Marisco – Jardim do Tabaco

O mundo dos descontos não se resume apenas ao Groupon, também existe o Lets Bonus, e foi com um papel (perdão…cupão) na mão deste site que chegámos a este restaurante. No valor de 35 euros podiamos consumir 70 euros do menú.

O Jardim do Marisco, fica situado na Doca do Jardim do Tabaco, junto a Santa Apolónia do lado do rio. O estacionamento é fácil pois a Doca tem parque próprio. Trata-se obviamente de um restaurante de mariscos, mas pelo menos à noite tem tudo menos o típico ambiente de marisqueira. É muito mais calmo, sem televisão, mas muito escuro (demasiadamente escuro na nossa opinião), praticamente sem luzes, a iluminação é assegurada apenas por umas colunas a gás que cumprem mal a função de iluminação, além disso tambem não cumpriam no aquecimento da ampla sala de mármore, pois estava frio. Provavelmente o objectivo será criar um ambiente intimista e romântico, no entanto não resulta….imagine-se encasacado por causa do frio, com dificuldade em ver a sua companhia e com o martelo do marisco não mão… pois…. é tudo menos um cenário romântico.

Na mesa, para petiscar avançámos para as Ameijoas à Bolhão Pato, estavam boas mas mal servidas, uma Sapateira que se destacava claramente pela positiva, Camarão de Espinho (aquele tipo mini-camarão), e Percebes.  Como fomos com o intuito de comer marisco, continuámos no mesmo registo e a escolha foi fácil, o Pratão de Mariscos, trata-se basicamente uma selecção de mariscos com um pouco de tudo, desde Ostras, Percebes, Lagosta, Camarão,  Sapateira, Caranguejo, etc… e na verdade se em termos de quantidade facilmente consideramos adequada, já na qualidade alguns dos mariscos não se apresentavam tão frescos como o desejado. Obviamente que tudo isto foi muito bem acompanhado pelo vinho branco fresquinho (BSE), pão, tostas e manteiga. No final para “sobremesa” uma Salada de Polvo Vinagrete, absolutamente mediana e os Mexilhões à Espanhola que estavam realmente bons e se destacaram pela positiva.

Nota também positiva para o atendimento, eficiente e simpático e além disso  “aturaram-nos” até bastante tarde e não fomos pressionados para sair. Menção negativa para o preço, que teria subido para valores muito altos não fosse o desconto utilizado. Obviamente que estamos a levar em conta que uma mariscada não é propriamente uma refeição barata, mas comparando com outras opções dentro do género os preços podiam ser menos pesados para a carteira.

Resumindo, não saimos mal, mas também não saimos especialmente bem impressionados, particularmente em termos da relação custo/qualidade. Poderá eventualmente ser uma opção válida durante o Verão para usufruir da esplanada à beira-rio.

Custo: acima da média dentro do género, vai disparando conforme se vai consumindo marisco
Comida: algum marisco não estava especialmente fresco
Atendimento:  eficiente e simpático qb

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Marrokos – Parque das Nações

Entrámos no café Marrokos pelas 18h, para ler o jornal de Sábado e beber um chá de menta…. fomos ficando, ficando e quando demos por nós já passava da meia noite quando saimos de lá. O Marrokos é um café/restaurante obviamente marroquino situado na zona Norte do Parque das Nações, numa zona perfeitamente descaracterizada no meio da selva de betão, com vista para o estacionamento e para os blocos em frente, mas ainda se consegue vislumbrar a torre Vasco da Gama.  O espaço está carregado das típicas referências marroquinas, desde os candeeiros, aos bules e copos, aos bancos, às shishas (que se podem fumar também no local) no entanto o resultado final não é verdadeiramente bem conseguido (excepto o WC que está verdadeiramente espectacular), a televisão a dar a Sport TV também não ajuda nada, e para além disso estava frio (literalmente), o que nunca ajuda a conseguir um espaço verdadeiramente acolhedor.

Aos chás, muito bons, verdadeiramente marroquinos, seguiu-se o crepe de chocolate com gelado, também muito bom. Depois uma pausa, para ler o jornal. Foi então que decidimos então ficar por lá, e revelou-se uma óptima escolha. A cozinha marroquina tem mesmo cozinheiras(os) marroquinos e sem dúvida que desde Marrocos foi a melhor e mais verdadeira refeição marroquina. Para entrada, as beringelas à marroquina, muito boas. Depois, a típica Tagine de frango com limão, acompanha com cuscuz (a única semelhança com o cuscuz do Oliva é apenas nome), muito bom e bem servido com o tempero de limão e especiarias mesmo no ponto. O outro prato, foi para nós uma inovação, a Pastilla (portanto, em português a Pastilha), trata-se de massa folhada recheada com frango e legumes polvilhada com canela. Se a Tagine estava muito boa, a Pastilla estava ainda melhor, aconselhamos realmente.

Durante o jantar ainda fomos brindados com várias sessões de danças orientais, provavelmente será um “bónus” de fim de semana, mas que valoriza o restaurante e ajuda a recriar (ou relembrar) o ambiente oriental. Depois do jantar fomos ficando a usufruir do espectaculo e a degustar mais uns copos de vinho e mais umas imperiais…

Em conclusão, a localização e o espaço são banais, o atendimento trapalhão. A comida é realmente boa, e por si só vale a pena, mas além disso tem a vantagem de depois das 23h se transformar em café/bar, portanto pode-se ficar calmamente a usufruir da experiência oriental (com direito a espectaculo ao fim de semana) e relaxar ao som dos ritmos marroquinos.

Custo: valor correcto, na ordem dos 15 euros por pessoa
Comida: muito bom, sem dúvida a melhor comida marroquina desde a viagem a Marrocos
Atendimento:  lento e trapalhão, ou eficiente (conforme a empregada/empregado).

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