Categoria: Goês

Nova Goa – Rua David de Sousa

O restaurante Nova Goa fica ali na zona do Campo Pequeno, esta é uma daquelas casas que apenas passando por lá se fica a conhecer, visto que numa pesquisa online por restaurantes goeses não se encontram referências nenhumas acerca deste restaurante (provavelmente ainda será recente?), e a própria localização numa rua pequena retira-lhe alguma visibilidade.

O espaço em si, é uma sala com capacidade média, decoração simples e à meia luz e com (poucos) elementos alusivos a Goa e ao mundo oriental. O resultado final é agradável, mas longe de ser espectacular. Quem vai lendo umas coisas por aqui, já sabe que por nós a televisão que está lá no canto ia directamente para o lixo.

A gastronomia goesa, resulta da fusão durante 5 séculos da gastronomia portuguesa com a indiana. Obviamente que a culinária goesa utiliza muito mais condimentos e especiarias relativamente à culinária portuguesa, o que atribui aos pratos confeccionados sabores fortes, aromáticos e picantes, uma clara influência indiana. Por outro lado, nota-se na utilização de carne de porco e vaca, ovos nos doces, sopas, etc a assimilação da cultura portuguesa.

O couvert são os típicos paparis, mas pedimos umas chamuças enquanto escolhiamos, e vale a pena porque são bem boas. Os pratos que escolhemos foram o típico Chouriço Goês (lá está a fusão entre o chouriço de carne de porco com especiarias e picantes suficientes para fazer levantar um morto) acompanhado com arroz e batatas cozidas, e o outro prato, muito mais suave foi Caril de Gambas (Caril de gambas cozinhado com leite de coco à moda de Goa acompanhado com arroz basmati).

Ambos os pratos estavam bem confeccionados e as porções eram adequadas. O chouriço não se recomenda a almas menos fortes, porque é mesmo bastante picante, mas tem um gosto interessante com além do picante toques de vinagre e especiarias, o gosto permanece muitas horas após o término da refeição. O caril de gambas é um prato muito mais suave, para o doce derivado do coco que leva, e que qualquer pessoa pode estar à vontade para comer, mas perde-se um pouco “o picante” da experiência. Acompanhámos com vinho branco, que combinou muito bem, mas aconselha-se também a água para ir apagando o fogo na boca.

Para sobremesa, decidimos experimentar o Jellaby, mas por simpatia acabámos por provar várias sobremesas com nomes esquisitos, quase todas elas extremamente doces (a nossa favorita é sem dúvida a sobremesa goesa mais famosa, a Bebinca).

A nota habitual para o preço, que ronda em média os 17 euros por pessoa, e que nos parece adequado, mas um pouco acima da média da concorrência Indiana/Nepalesa/Paquistanesa. O atendimento foi muito simpático, acolhedor e ao mesmo tempo eficaz.

Resumindo, é um restaurante a visitar (principalmente pelos mais corajosos), um ambiente agradável com um atendimento impecável. Por outro lado, obviamente que pela diferença e agressividade do comida recomendam-se “imersões” com conta, peso e medida.