Restaurantes de tipo ‘Português’

Unique – Chiado

Desta vez fomos até ao Chiado, ao restaurante Unique, aberto à menos de um ano e da conhecida estilista Fátima Lopes. Normalmente famosos e restaurantes não casam lá muito bem, arrancam com pompa e circunstância com uma grande festa com direito a publicidade grátis nas revistas e programas cor de rosa e depois é sempre a descer até ao encerramento. No entanto neste caso existe substância…

A zona do Chiado como se sabe é de dificil acesso e estacionamento (e não vale a pena andar a inventar que a policia municipal faz um patrulhamento agressivo), por isso aconselhamos a ir com tempo e quem sabe desfrutar de um agradável passeio a pé para abrir o apetite.

O restaurante, que também funciona como bar até às 02h00, fica num prédio de estilo pombalino, muito bonito. Lá dentro um espaço bastante elegante. Áreas amplas em tons brancos, pretos e roxos, com uma iluminação suave a condizer com os ritmos suaves do chill-out que se fazem ouvir, tudo está pensado para agradar e fazer o cliente sentir-se bem. No rés-do-chão existe um bar lounge, onde se pode apreciar uma bebida ou uma refeição ligeira, e na mezzanine ao nivel do primeiro andar é a zona de restauração, zona para onde fomos prontamente encaminhados.

Da carta, avançámos para um menú de degustação de 6 pratos, e para acompanhar uma garrafa de “2 Quintas” reserva (um dos poucos vinhos comportáveis em termos de preço). Logo no couvert deu para perceber que seria uma boa refeição, vários tipo de pão (sementes, tomate, etc) com azeite e vinagre balsâmico. Extremamente simples, mas muito bom derivado da óptima qualidades dos produtos apresentados. Quer o prato de peixe, camarão com tamboril e arroz de tomate, quer o prato de carne, bochechas de porco (assadas durante horas), batata, castanha e bacon, intervalados com gelado de limão e hortelã para limpar o palato, estavam muitissimo bons. A própria sobremesa e salada de entrada também estavam impecáveis.  Simplesmente memorável.

Temos de dar os parabéns ao chef João Simões pelo belissimo jantar, e se até agora a nossa referência nestas (ainda curtas) andanças de cozinha de autor era o chef Vitor Sobral, a partir de agora temos também de incluir este jovem chef. Curiosamente num registo muito diferente, sabores mais fortes, mais apaladados, muitas ervas aromáticas, mais perto da cozinha tradicional à moda antiga, mas igualmente muito bom.

Como não há bela sem senão, o preço é bastante alto, cada menu de degustação fica na ordem dos 32 euros, o vinho (dos mais em conta) 25 euros, o café 2 euros, etc… se vale a pena? Para um jantar especial sem dúvida. Custa menos pagar por um jantar desta qualidade, do que por vezes pagar muito menos mas sermos “brindados” com uma refeição que não vale nada.

Custo: elevado, 50 euros por pessoa (é bom e bonito, mas não é barato)
Comida: óptima, de primeira qualidade
Atendimento:  impecável

Nota: o restaurante entretanto mudou de nome, agora é Faces (in Chiado), mas em tudo o resto é basicamente o mesmo.

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Café de S. Bento – S. Bento

A noite ia chuvosa e já era uma hora relativamente tardia, pelo que depois de tantos anos e depois de tantos sitios recomendarem o Café de São Bento para uma refeição tardia, decidimos dar lá um saltinho e experimentar. É preciso ir com uma certa atenção que de fora não é mais do que uma porta fechada com uma placazinha e uma janela com o menú, mas sem vista para o interior (e vice-versa). Para ver o que se passa é preciso tocar à campainha, e em menos nada surge o empregado trajado a rigor (género mordomo) que nos acolhe, indica a mesa, arruma os casacos e guarda-chuvas, faz uma vénia…. enfim o folclore todo.

Lá dentro, um ambiente género pub inglês, em tons de vermelho, faia e dourado, alcatifas, sem vislumbre da rua, a tentar aparentar um certo peso de história que não tem, assim a puxar para os antigos clubes exclusivos de uma certa burguesia de antigamente. Numa palavra: kitsch.

O menú vive sobretudo dos bifes, aliás que é o que dá a fama à casa, pois em tudo o que é guia ou publicação de restaurantes vem sempre qualquer coisa do género: “coma um bife tarde e a más horas no Café de S. Bento”. Nos bifes há varias escolhas, desde o bife à casa (bife Café de S. Bento), o bife com pimenta passando pelo bife à portuguesa entre outros. Optámos obviamente pela especialidade da casa, nas modalidade de pimenta e à portuguesa. Para empurrar cerveja e vinho a copo, que a carta de vinhos é proibitiva. Ambos os bifes estavam muito bons, a carne de primeira qualidade e confecção competente, embora  no bife à portuguesa faltavam claramente os pickles, e em geral podiam ser um pouco mais assados e menos cozidos, faltava aquela camada superior um pouco mais assada, estaladiça e deliciosa. Para acompanhar a típica batata frita e esparregado, na mesma linha dos bifes, acima de qualquer suspeita mas sem rasgo. Se é o melhor bfe de Lisboa? Provavelmente não, mas é bastante bom.

No final, a conta que neste restaurante/pub é realmente dolorosa, pois dois bifes (na ordem dos 25 euros), acompanhamentos e cerveja e vinho a copo, fica na ordem dos 70 euros, que é um valor claramente exagerado em termos de custo beneficio. Claramente que tem um público próprio, composto sobretudo por turistas e uma população endinheirada em que o valor final não é grande preocupação, no entanto para nós que nos enquadramos na classe média o Café de S. Bento é claramente uma aposta desajustada em termos de custo.

No final, verifica-se na conta e no cartão da casa que o Café de S. Bento é propriedade da Estoril Sol, a grande empresa de casinos, e realmente nota-se no próprio ambiente kitsch e no serviço.  Curiosamente também o facto de surgir no TripAdvisor (um famoso site para viagens) como o 2º melhor restaurante de Lisboa, que claramente não é, e que nos leva a questionar da fiabilidade do mesmo, visto que existem em Lisboa muitas outras propostas mais apeteciveis, com mais qualidade e mais equilibradas  em termos de custo.

Em conclusão, é sempre simpático existir um “restaurante” – é mais um pub -  onde se pode comer uns bons bifes (e alguns petiscos) até às 03h, é mais uma opção (das poucas existentes) para quem quiser jantar mais tarde. No entanto é necessáro ponderar bem, visto que o custo bastante elevado torna estas refeições fora de horas demasiado caras na nossa opinião.

Custo: demasiado elevado, minimo a rondar os 35 euros por pessoa
Comida: bifes de primeira qualidade
Atendimento:  competente, pontualmente demasiado formal

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Esplanada do Príncipe Real – P. Real

Fazia um frio de rachar, mas fomos corajosos e fomos a uma esplanada. Se existe algo que apreciamos em Lisboa são as suas esplanadas, que dão um colorido muito caracteristico. Se S. Francisco tem os eléctricos e colinas, e a Madeira tem bananas, Veneza canais, e por ai fora…. Lisboa tem as suas esplanadas. Fomos até ao jardim do Príncipe Real, recentemente recuperado, jantar na esplanada do Príncipe Real com um desconto adquirido no Groupon (um óptimo antidoto anti-crise).

Como já se sabe o estacionamento naquela zona é complicado, e das duas uma, ou se chega com tempo para procurar um lugar “ofícial” ou então arrisca-se um lugar mais “imaginativo”, não convém ser imaginativo demais porque existe um patrulhamento agressivo contra o estacionamento abusivo…

A esplanada, pelo menos agora de Inverno, é fechada e com os aquecedores estava-se muito melhor lá dentro do que na rua. O espaço está bem conseguido, acolhedor, à meia luz (com uns candeeiros da moda) e a cereja em cima do bolo é a música jazz ao vivo. O menú vive dos pratos italianos, massas e risottos, bifes e hamburguers, e do peixe grelhado do dia (será que têm sardinhas no Verão?).

O vale do Groupon incluia o couvert, prato principal (excepto o peixe do dia), e dois cocktails. Assim, enquanto usufruiamos do couvert, que consistia em pão, azeitonas e patés, pedimos vinho tinto da casa para empurrar (não inluído no vale mas também não fazia sentido estragar um bom momento a beber água). Os pratos principais que escolhemos foram o Bife à portuguesa e Risotto de tomate seco e manjericão.

A comida estava bastante razoável, o bife não era propriamente à portuguesa, visto que não tinha pitada de pickles,  mas excluindo esse facto, estava bom e com um molho apaladado, pena as batatas fritas congeladas. O Risotto infelizmente estava um pouco cozido demais, com queijo a mais e tomate e manjericão a menos, mas a milhas do último (pseudo) Risotto do Oliva… de salientar também que as porções são adequadas/generosas, que nos deixa sempre mais satisfeitos.

A partir das 23h o ambiente transforma-se de um espaço intimista e acolhedor para um descontraido bar, sendo inclusive possivel fumar, ideal para usufruir dos cocktails que tinhamos direito. Optámos por um Mojito e Passion Mojito e ficámos até mais tarde a aproveitar da música e a relaxar merecidamente depois de uma semana de trabalho.

E foi assim via Groupon, que descobrimos mais um agradável restaurante, bem localizado numa zona típica da cidade. Deverá ser mais interessante a partir da Primavera e no Verão, quando se pode desfrutar a 100% da esplanada e do jardim impecavelmente recuperado.

Custo: 10 euros por pessoa (Groupon + vinho + café), sem o vale Groupon apontamos para os 15 euros de média
Comida: bastante razoável
Atendimento:  simpático, de assinalar que substituiram o vinho da casa que estava esgotado por outro superior mantendo o preço

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