Categoria: Português

Adega do Atum – Campo das Cebolas

caracoisEste é um velho conhecido de há muitos e longos anos. Em pleno campo de cebolas, paredes meias com a casa dos bicos (agora fundação José Saramago), é uma tasca portuguesa com os típicos petiscos e menu de comida portuguesa tradicional a piscar o olho aos turistas que por ali passam: grilled sardines, o steak and chips, roasted chourizo e similares…

Na minha opinião, o ponto forte desta casa é a travessa de caracóis na esplanada, ao final de um belo dia de Sol em amena cavaqueira com amigos. Tenho de avisar que não é um restaurante “fácil”, por vezes perde-se um tempo interminável para lá chegar (graças às constantes obras na zona ribeirinha), por vezes é praticamente impossível encontrar estacionamento sem evitar essa praga lisboeta chamada “arrumadores”, já me aconteceu várias vezes já não ter caracóis, ou uma réstia mal amanhada, por vezes vem um cheiro não muito saudável do rio, por vezes os caracóis não estão nada de especial, por vezes passa-se mais tempo a ser incomodado por cravas de dinheiro e tabaco do que propriamente a desfrutar dos ditos cujos.

Mas, naqueles dias em que há um bom alinhamento astral, trata-se simplesmente um final de tarde/início de noite perfeito. o bom tempo lisboeta, a suave brisa refrescante, as belíssimas cores da cidade ao por do Sol, a boa companhia, as imperiais fresquinhas, e é claro uma bela travessa de deliciosos caracóis a completar o ramalhete. Serão os melhores caracóis de Lisboa? Não sabemos, mas que são muito bons, lá isso são.

Custo: 12 euros por pessoa, um pouco acima da média inflacionados pela localização turística
Comida: pratos de comida portuguesa razoáveis, caracóis muito bons (aconselha-se também o pica-pau)
Atendimento: Simpático

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Cantinho do Bem Estar – Bairro Alto

Cantinho do Bem EstarNo início da Rua do Norte (quem vem do Chiado) do boémio bairro alto, temos mais um exemplar do típico restaurante português. Não chega a ser uma tasca, porque o ambiente é ligeiramente refinado para tal… estamos a falar de uma zona turística e é preciso apelar também ao público internacional. O espaço é típico e acolhedor, até demasiado acolhedor porque é um restaurante muito pequeno e toda a gente está perto de toda a gente. De ambas as vezes que lá fomos foi sempre preciso esperar (e de que maneira) por uma mesa vaga. Não recomendamos para grupos grandes, nem para esfomeados impacientes. Vale a pena a espera?

IMG_20140215_084437A comida é boa, falamos daqueles pratos tipicamente portugueses (arroz de polvo, costeleta de novilho, pataniscas com arroz de feijão, etc) e tem aquele toque caseiro. Estamos lá, mas não é preciso imaginação nenhuma para nos visualizarmos a comer exactamente aquele arroz de polvo num almoço familiar de Domingo…. além de ser boa, as doses são bem servidas, convém dar uma vista de olhos nas mesas em redor e perguntar antes de pedir. Isto porque mais de 4 doses e já estamos a entrar nos domínios do banquete.

Quer o arroz de polvo quer a (super) costeleta de novilho que comemos estavam muito bons. O arroz malandrinho como se quer, os pedaços de polvo macios e tenros, bem temperado e saboroso. A costeleta (que são 3) é grelhada com uma pitada de sal, e realmente quando a carne é de boa qualidade não há mais nada a acrescentar, acompanha com a batata frita caseira e salada. Tudo bem regado com o vinho da casa a jarro.

No melhor pano cai a nódoa, e o preço infelizmente é alto… as doses rondam os 20 euros, e mesmo considerando que chega perfeitamente para duas pessoas, acrescentando uma ou outra entrada (tentem as pataniscas) ou sobremesa e café, é fácil passar a barreira dos 20 euros por pessoa, o que para uma tasca é puxadote. No entanto é compreensível, pois naquela zona é um dos melhores restaurantes de comida tipicamente portuguesa e os turistas parecem moscas.

Em conclusão, e voltando à pergunta, vale a pena a espera? Sim, se a opção for a comida portuguesa no bairro alto e o preço não for problema está no sitio certo.

Custo: 20 euros por pessoa
Comida: Boa e doses generosas
Atendimento: Simpático e familiar

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Verde Minho – Calçada Santana

Verde MinhoNuma zona castiça da cidade de Lisboa, bem perto do Martim Moniz, esconde-se um exemplar de uma espécie em vias de extinção, a verdadeira tasca portuguesa. É melhor esquecer o carro cá em baixo, a calçada foi feita para se subir a pé. A pergunta é, se vale a pena a caminhada?

O espaço é do mais básico que se possa imaginar, e não é propriamente bonito. Faz parte do conceito tasca: cadeiras, mesas um balcão e tudo o resto são acessórios. No entanto há qualquer coisa de familiar, que nos deixa à vontade para o que vem a seguir.

E o que vem seguir, são os bitoques à homem, a meia dose de entremeada que uma pessoa normal tem muita dificuldade em ver o fundo do prato, o frango (bem) assado. A batata frita que não veio pré-congelada dentro de um saco. A salada de alface e tomate com um fiozinho de azeite e vinagre. O jarro de tinto da casa. O jarro de branco da casa. O Sr. Horácio sempre em cima do acontecimento. Enfim, um mimo.

E o melhor de tudo? O preço. Vou escrever isto baixinho para ninguém saber, mas preços destes já não se usam. Basta entrar no Verde Minho com uma nota de 5 euros e mais uma ou duas moedas, e uma pessoa habilita-se a sair muito bem de lá….

Concluindo, é uma tasca portuguesa concerteza, não é um restaurante de charme, mas come-se bem e barato.

Custo: 7 euros por pessoa
Comida: Bom e bem servido
Atendimento: Familiar

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