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Pho-Pu – Rua do Benformoso

Pho-Pu PhoEste é um restaurante para os bravos do pelotão, desde logo porque está localizado numa zona da cidade que não é a mais recomendada pelos guias turísticos (provavelmente até está na secção Zonas da Cidade a Evitar). Entre o Martim Moniz e o Intendente é praticamente um enclave multi-cultural onde ouvir uma palavra na língua de Camões é uma raridade. Avançamos rua acima que tudo irá correr bem (não oferecemos garantias nem salvo-conduto) e aproveite-se os 200 metros de viagem que passam por Marrocos, Índia, Paquistão, China e outras paragens longínquas mesmo no centro de Lisboa. Uma entrada estranhamente bem cuidada e limpa? Cheiro a manjericão e especiarias? É mesmo aqui o Pho-pu.

Primeira prova superada, a segunda prova é a dificuldade de comunicação com o staff, pois o vietnamita é o primeiro idioma, e o segundo e o terceiro e lá para uma posição muito recôndita vem o português. No entanto, para facilitar o menu é muito básico: composto de 4 ou 5 propostas, o Pho a sopa típica vietnamita (também em versão chinesa), as gyosas (versão massa fresca ou frito), crepe chinês e chamuça. Embora na mentalidade ocidental, trata-se aparentemente de um menu pobre, é na realidade muito rico e tipicamente oriental a especialização num prato, pois permite refinar e melhorar a receita ao pormenor.

Pho-Pu CondimentosRapidamente chega à mesa um prato com rebentos de soja, limão, manjericão. e 2 tacinhas de molho de soja e picante. Calma, muita calma, não se trata de uma oferta da casa, mas sim de condimentos para se misturar a gosto no Pho (a sopa). E eis que chega as gyosas, as chamuças e a sopa fumegante. Misturam-se os condimentos (ou não) na sopa e está pronta a provar, cheira-se, prova-se, e sente-se o festival de sabores, o doce, o amargo, o picante, o salgado, o umami, enfim um mundo numa sopa, simplesmente deliciosa. Para alguns pode ser um pouco avassalador e simplesmente uma confusão de sabores e texturas, mas na verdade esta abundância tem método como uma sinfonia gastronómica.

Alguns podem dizer, uma refeição à base de uma sopinha? Pois, mas não é uma sopinha qualquer, muito bem servida e carregada de ingredientes como noodles, carne e vegetais, come-se tanto de colher como de pauzinhos. Demora tempo, e chegar ao fim não está ao alcance dos mais fracos. Além disso, também vale a pena testar as outras iguarias do menu, as  gyosas frescas e as chamuças são muito boas e cumpriram muito bem.

Pho-Pu ChamuçasCPho-Pu Gyosashegados ao fim desta viagem pelo Sudoeste asiático resta pagar a moderada conta, e agradecer a existência desta pérola em Lisboa (talvez o único restaurante vietnamita em Lisboa). Quando sair, não se queixe da sua sorte de ter de navegar pela Rua do Bemformoso e lembre-se que se o Pho-Pu estivesse localizado numa zona fina da cidade teria acabado de deixar o triplo do dinheiro e provavelmente estaria sempre impraticavelmente cheio.

 

Resumo
Custo: 8 euros por pessoa
Comida: sopa vietnamita deliciosa/sublime, as outras opções boas também
Atendimento: Muito simpático embora por vezes com alguma barreira linguistica

Mapa

Nova Goa – Rua David de Sousa

O restaurante Nova Goa fica ali na zona do Campo Pequeno, esta é uma daquelas casas que apenas passando por lá se fica a conhecer, visto que numa pesquisa online por restaurantes goeses não se encontram referências nenhumas acerca deste restaurante (provavelmente ainda será recente?), e a própria localização numa rua pequena retira-lhe alguma visibilidade.

O espaço em si, é uma sala com capacidade média, decoração simples e à meia luz e com (poucos) elementos alusivos a Goa e ao mundo oriental. O resultado final é agradável, mas longe de ser espectacular. Quem vai lendo umas coisas por aqui, já sabe que por nós a televisão que está lá no canto ia directamente para o lixo.

A gastronomia goesa, resulta da fusão durante 5 séculos da gastronomia portuguesa com a indiana. Obviamente que a culinária goesa utiliza muito mais condimentos e especiarias relativamente à culinária portuguesa, o que atribui aos pratos confeccionados sabores fortes, aromáticos e picantes, uma clara influência indiana. Por outro lado, nota-se na utilização de carne de porco e vaca, ovos nos doces, sopas, etc a assimilação da cultura portuguesa.

O couvert são os típicos paparis, mas pedimos umas chamuças enquanto escolhiamos, e vale a pena porque são bem boas. Os pratos que escolhemos foram o típico Chouriço Goês (lá está a fusão entre o chouriço de carne de porco com especiarias e picantes suficientes para fazer levantar um morto) acompanhado com arroz e batatas cozidas, e o outro prato, muito mais suave foi Caril de Gambas (Caril de gambas cozinhado com leite de coco à moda de Goa acompanhado com arroz basmati).

Ambos os pratos estavam bem confeccionados e as porções eram adequadas. O chouriço não se recomenda a almas menos fortes, porque é mesmo bastante picante, mas tem um gosto interessante com além do picante toques de vinagre e especiarias, o gosto permanece muitas horas após o término da refeição. O caril de gambas é um prato muito mais suave, para o doce derivado do coco que leva, e que qualquer pessoa pode estar à vontade para comer, mas perde-se um pouco “o picante” da experiência. Acompanhámos com vinho branco, que combinou muito bem, mas aconselha-se também a água para ir apagando o fogo na boca.

Para sobremesa, decidimos experimentar o Jellaby, mas por simpatia acabámos por provar várias sobremesas com nomes esquisitos, quase todas elas extremamente doces (a nossa favorita é sem dúvida a sobremesa goesa mais famosa, a Bebinca).

A nota habitual para o preço, que ronda em média os 17 euros por pessoa, e que nos parece adequado, mas um pouco acima da média da concorrência Indiana/Nepalesa/Paquistanesa. O atendimento foi muito simpático, acolhedor e ao mesmo tempo eficaz.

Resumindo, é um restaurante a visitar (principalmente pelos mais corajosos), um ambiente agradável com um atendimento impecável. Por outro lado, obviamente que pela diferença e agressividade do comida recomendam-se “imersões” com conta, peso e medida.