Etiqueta: entremeada assada

Verde Minho – Calçada Santana

Verde MinhoNuma zona castiça da cidade de Lisboa, bem perto do Martim Moniz, esconde-se um exemplar de uma espécie em vias de extinção, a verdadeira tasca portuguesa. É melhor esquecer o carro cá em baixo, a calçada foi feita para se subir a pé. A pergunta é, se vale a pena a caminhada?

O espaço é do mais básico que se possa imaginar, e não é propriamente bonito. Faz parte do conceito tasca: cadeiras, mesas um balcão e tudo o resto são acessórios. No entanto há qualquer coisa de familiar, que nos deixa à vontade para o que vem a seguir.

E o que vem seguir, são os bitoques à homem, a meia dose de entremeada que uma pessoa normal tem muita dificuldade em ver o fundo do prato, o frango (bem) assado. A batata frita que não veio pré-congelada dentro de um saco. A salada de alface e tomate com um fiozinho de azeite e vinagre. O jarro de tinto da casa. O jarro de branco da casa. O Sr. Horácio sempre em cima do acontecimento. Enfim, um mimo.

E o melhor de tudo? O preço. Vou escrever isto baixinho para ninguém saber, mas preços destes já não se usam. Basta entrar no Verde Minho com uma nota de 5 euros e mais uma ou duas moedas, e uma pessoa habilita-se a sair muito bem de lá….

Concluindo, é uma tasca portuguesa concerteza, não é um restaurante de charme, mas come-se bem e barato.

Custo: 7 euros por pessoa
Comida: Bom e bem servido
Atendimento: Familiar

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Tasca da Esquina – Campo de Ourique

Esta foi a nossa primeira experiência num restaurante de autor.  O escolhido por recomendação de amigos foi o Tasca da Esquina, o mais recente restaurante do chefe Vitor Sobral. Fica situado na esquina (lógico não é) da Rua Domingos Sequeira com a Rua Saraiva de Carvalho, no típico bairro de Campo de Ourique, com direiro a marquise e tudo (aliás para ter mesmo a certeza que estamos em Campo de Ourique uns 60% de restaurante são marquise).

Chegados ao restraurante com marcação prévia, o acolhimento foi de certa forma atabalhoado, visto que o espaço é para o pequeno, e gerar-se uma certa confusão com as pessoas do jantar das 20h a sair e os das 22h a entrar. Portanto é mais ou menos como quem vai a uma sessão do cinema. Passados uns 5 minutos à espera na rua, que lá dentro parecia o metro em hora de ponta, e fomos encaminhados para a mesa.

O espaço é simples e agradável, em tons de branco, por trás do balcão vê-se a cozinha e os artistas a trabalharem. Nada pretensioso, com caixas de vinho, mercearias e tachos espalhados estratégicamente. Ficámos na marquise, infelizmente as mesas ficam muito próximas, pelo que a privacidade com os “vizinhos” não é muita, mas sempre se podem fazer amizades à boa moda das tascas.

Os menús são uma folha enquadrada numa madeira, com a maioria das propostas à base de petiscos (lá está novamente o conceito tasca). Optámos por “Ficar nas mãos do chefe”, que é um menu de degustação variável conforme a imaginação e compras do dia.  Existe em várias porções incluidas conforme a fome. Obviamente que queriamos experimentar o máximo possivel de petiscos da tasca e avançámos para Sopa + 6 porções + queijo + sobremesa tudo regado com vinho tinto Cabriz selecção.

Temos de confessar que até aqui o balanço global era perfeitamente mediano (acolhimento atabalhoado, mesas acanhadas e sem privacidade) no entanto tudo estava prestes a mudar e a transportar-nos para outro nivel de felicidade.

Primeiro o chefe “enviou” para a mesa uma sopa fria de tomate com ameixa, nunca gostámos muito de sopa fria e de ameixa (repectivamente), deixa lá provar, hummm, mais uma colher de sopa, outra, outra e outra… uma delicia.

Como se iria tornar maçador estar aqui a descrever ao pormenor toda a refeição, fica aqui o menú que o chefe preparou (de memória, deviamos ter levado um caderninho), sopa fria de tomate com ameixa, cogumelos salteados, camarão com farofa, lulas fritas, jaquinzinhos com molho de caldeirada, entremeada assada com molho exótico, queijo com nozes e abóbora bolo de chocolate com molho de maracujá e leite creme queimado. Todos os pratos estavam muito bons, combinações inovadoras (pelo menos para nós), vários com molhos deliciosos e sofisticados, no entanto aparentemente artesanais. Lembra o género de refeição muito boa que algum familiar fazia antigamente com tempo, mas repetindo-se o processo várias vezes conforme saem da cozinha os vários pratos. Tudo o que veio para a mesa estava muito bom, mas mesmo assim temos de destacar o camarão com farofa, delicioso… a farofa estaladiça o molho perfeito. Destaque também para os jaquinzinhos, tamanho ideal, cozinhados no ponto, o molho de caldeirada muito bom mesmo, curiosamente nem somos grandes fãs de jaquinzinhos mas estes foram devorados. E finalmente destaque para o bolo de chocolate com molho de maracujá, lá está o exemplo de uma combinação pouco habitual, o quente do chocolate a combinar na perfeição com o maracujá fresco. Estavamos vencidos e convencidos. Vencidos porque se cada porção individual é relativamente reduzida, na globalidade a soma de todas as porções é mais do que suficiente  para dexar um “bom garfo” saciado.

Referência habitual para o atendimento, impecável, mal se dá conta dos empregados(as) que estão a servir o que é óptimo. Relativamente ao preço, é caro, para se tirar partido da refeição o melhor é contar com 35 euros por pessoa. Temos de considerar os preços razoáveis e justos, mesmo o vinho (que também é vendido a copo) apresenta opções para todas as carteiras. E se efectivamente é possivel descer o valor por pessoa, estamos a descaracterizar a experiência, e num restaurante deste tipo não faz sentido desaproveitar a oferta para descer a conta meia dúzia de euros.

Pouco mais há a dizer acerca desta petisqueira sofisticada, apenas dar os parabéns ao chefe Vitor Sobral e à sua equipa e recomendar a todos a reserva prévia para não chegar lá e ter de voltar para trás.

Resumo

Custo médio por pessoa: 35 euros pessoa, mas custou mais pagar muitos jantares de 10 euros do que este
Comida: Simplesmente excelente
Atendimento:  Impecável

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